quarta-feira, 30 de abril de 2008

Policiais federais pagam fiança e são liberados

Chegaram na tarde desta terça-feira, 29/04/2008, a Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, os três policiais federais brasileiros que foram presos domingo no Paraguai, acusados de furar três barreiras policiais no País vizinho, no trajeto entre Assunção e a fronteira com o Brasil. Segundo informações da delegacia da PF, os três policiais pagaram o equivalente a R$ 1,5 mil para serem liberados e aguardarem julgamento do caso.

Eles são acusados de resistência à ação policial. Na versão divulgada pela polícia paraguaia, os três, além de furarem as barreiras, dispararam contra os policiais daquele País. Houve perseguição e os agentes só foram presos em Pedro Juan Caballero, já na fronteira com o Brasil.

A PF nega informações e diz que eles viajavam de folga, com permissão da chefia e que adotaram as providências necessárias, como retirar a tarjeta de entrada no Paraguai.

Conforme as informações da delegacia da PF em Ponta Porã, em uma das barreiras que segundo os paraguaios foi ultrapassada, o motorista do veículo teria entendido o sinal de parar como se fosse para apenas reduzir a velocidade.

Na terceira barreira, onde as autoridades paraguaias afirmam ter havido troca de tiros, o que é negado pelos policiais. Todos são de fora de Ponta Porã, e vieram para a cidade para trabalhar, como ocorre com a quase todalidade do efetivo da PF na cidade.

As autoridades paraguaias garantem que dentro do carro encontraram 18 latas de cerveja fechadas, duas latas vazias, um lote de munição de armas calibres 9 mm, .357 mm e de escopeta, além de um coldre e outros objetos pessoais que estavam nos bolsos dos policiais. Em depoimento eles teriam dito que compraram os produtos em Assunção.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Três policiais federais brasileiros são detidos no Paraguai

Três policiais federais de Mato Grosso do Sul foram detidos no Paraguai , no domingo (27/04/08), acusados de furar uma barreira policial na região de Chiriguelo. Eles estavam de folga e teriam viajado a Assunção para fazer compras.

O delegado Caio Rodrigo Pellim, chefe da delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã (MS), afirmou ao G1 que os policiais admitiram ter passado por um posto policial no Paraguai, mas não receberam nenhum aviso de parada. Segundo Pellim, os brasileiros pararam em uma barreira policial perto de Pedro Juan Caballero, ainda no Paraguai, e foram detidos.

“Eles estão sob custódia enquanto aguardam autorização para voltar ao Brasil. Eles foram detidos por prática de crime de resistência, já que os policiais paraguaios alegam que eles furaram o bloqueio e desobedeceram as autoridades”, diz Pellim.

De acordo com o delegado, os brasileiros não trocaram tiros com a polícia paraguaia. “Eles estavam de folga, fora do horário de serviço e não portavam armas. Fizeram poucas compras e não tiveram nenhum material apreendido”, afirma Pellim.

Os brasileiros, que trabalham em Ponta Porã, devem ser liberados na manhã desta terça-feira (29/04/08).

sábado, 26 de abril de 2008

PF aprende carga de 100 milhões de cigarros falsos em São Paulo

A Polícia Federal (PF) de Presidente Prudente, interior de São Paulo, realizou na madrugada de 24/04/2008 a maior apreensão de cigarros já registrada no Estado de São Paulo. Foram aprendidos mais de 500 mil pacotes de cigarros de diversas marcas, que somam cinco milhões de maços com 20 cigarros cada, totalizando 100 milhões de unidades.
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Segundo a PF, toda a carga era transportada em um comboio composto por sete carretas e um bi-trem. Quatro motoristas foram presos, um conseguiu fugir e outros três abandonaram as caretas antes da chegada da polícia.

Conforme as declarações do delegado Ianê Linário Leal, chefe da Polícia Federal de Presidente Prudente, a apreensão aconteceu quando uma equipe da PF já investigava a ação dos contrabandistas que utilizam com certa freqüência a rodovia Assis Chateaubriand (SP-425) para o escoamento do produto de contrabando. "Montamos diligências para a averiguação dessas cargas suspeitas e obtivemos êxito em interceptar essa que foi sem dúvida a maior apreensão de cigarros", explicou.

A apreensão ocorreu em dois pontos da região. Primeiro, foram três carretas que estavam estacionadas no acostamento da rodovia nas imediações de um posto de revenda de combustíveis. Ao notarem a movimentação da Polícia federal, os condutores abandonaram os caminhões e desapareceram. Os motoristas não foram localizados.

"Dando continuidade às investigações, encontramos já no município de Teodoro Sampaio mais quatro carretas e um bi-trêm, também transportando cigarros. Eles faziam parte da mesma equipe. Quatro motoristas foram presos e um deles conseguiu se evadir. Todos os caminhões com as respectivas cargas foram apreendidos e encaminhados para a Delegacia de Polícia Federal, onde os motoristas foram autuados por crimes de contrabando e formação de quadrilha", afirmou o delegado.

Dois dos motoristas detidos são da cidade de Eldorado, um de Cruzeiro do Oeste e outro de Iguatemi, todas no Estado do Paraná (PR). Eles afirmaram que receberam as cargas em Foz do Iguaçu (PR) de um homem conhecido como Chicão, de quem teriam recebido R$ 4 mil pelo serviço do transporte. Eles disseram que deveriam distribuir a carga em locais diferentes da capital e Grande São Paulo.

Os cigarros e os caminhões serão encaminhados para a Receita Federal, que deverá incinerar os cigarros e dar destino legal aos caminhões. Os presos serão encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá (SP).

Fonte: O Dia

terça-feira, 22 de abril de 2008

Treinamento do COT


O Comando de Operações Táticas (COT) é o grupo de elite da Polícia Federal brasileira.

É especializado no combate ao terrorismo, tráfico de drogas, bem como em diversas operações especiais que requerem um alto grau de desempenho tático.

Em sua origem, a técnica de treinamento utilizada baseou-se no GSG 9 alemão, porém, com o passar dos anos, foi aperfeiçoando-a até desenvolver técnicas próprias, mesmo porque o COT atua em todo o Brasil, em regiões tão vastas e distintas que exigem um constante aprimoramento dos diversos tipos de treinamentos.

O COT dispõe do maior centro de treinamento de operações táticas da América Latina, que funciona tanto de dia como de noite, onde são ministrados os cursos de Combate em Área Restrita, de Operações Táticas e de Atirador de Precisão, atualmente reconhecidos, referências na América do Sul.

Todos os membros do COT são exímios atiradores (armas curtas e longas) e especialistas em técnicas de combate corpo-a-corpo (baseadas no Jiujitsu e no judô brasileiros). Dominam, com proficiência, técnicas verticais, primeiros socorros, sobrevivência em diversos ambientes, combate em recintos fechados, operações aéreas, etc., pois contam com especialistas treinados em vários cursos, tanto no Brasil como no exterior, além de ministrarem cursos para diversas unidades policiais, brasileiras e/ou estrangeiras.

O seu objetivo se traduz no lema: "À Patria, à Vida, ao DPF; o COT.", inserido em uma placa, à entrada de sua sede.

É formado por policiais federais, que voluntariamente se submetem a um intenso curso de formação, após prévia aprovação em testes e entrevistas, tendo duração total de 16 semanas, em regime integral, e onde são observadas tanto a postura tática e policial como as resistências física e mental aos mais diversos ambientes – terra, água e ar - em regiões como Selva, Caatinga e Montanha.

Já atuou de inúmeras operações, desde sua criação, em 1988, da apreensão de grandes quantidades de drogas por todo o país, a segurança de grandes autoridades, tais como o presidente americano George Bush e o Papa Bento XVI, de operações de combate ao crime organizado, como a Anaconda, ao combate ao tráfico ilícito de entorpecentes nas favelas do Rio de Janeiro, em apoio ao BOPE e outras unidades policiais.

O COT possui uma média de 110 operações/ano, abrangendo todo o Brasil.

Atua em conjunto, em algumas operações, com a Coordenação de Aviação Operacional - CAOP, também pertencente ao quadro do Departamento de Polícia Federal - DPF, sendo uma das razões da utilização da águia em seu síbolo: O apoio aéreo.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Alerta da Raposa

A questão da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol é enigmática por ser um marco na história do Brasil. Após a encenação que foi a criação da Reserva Ianomâni, a agora chamada Terra Indígena Raposa Serra do Sol retrata os compromissos de um grupo “ativista” que está ligado de inúmeras maneiras a entidades do exterior.

Este vínculo não é somente ideológico, mas também financeiro e de uma subserviência e cumprimento de ordens vindas do exterior.

As recentes palestras do General Augusto Heleno, no Programa Canal Livre da Rede Bandeirantes, na FIESP na abertura do Curso de Segurança Internacional e Defesa e no Clube Militar sempre alertando ao Brasil o que está acontecendo na Reserva Raposa Serra do Sol.

Tornou-se um assunto chave pois a questão é o nó que leva a muitos pontos. O General Santa Rosa, afastado do Ministério da Defesa, exatamente por levantar as ações das ONGs e sua perigrinação pelo Brasil levou à criação da CPI das ONGs. Ou a CPI do Google pois foi convenientemente abafada pelas ações do Ministro da Justiça Tarso Genro e a base governista.

Ora o ministro da Justiça Tarso Genro que é tão comedido com facções de irregulares mostra o punho pesado do Estado em jogar a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança Pública em ações midiáticas na Reserva Raposa Serra do Sol. Ação que foi suspensa, por decisão do Supremo Tribunal Federal.

O mesmo governo que através de seu representante emite a seguinte declaração: “A maioria dessas técnicas que estão sendo utilizadas, principalmente com bombas caseiras e algumas ataques como o de ontem (segunda), inclusive ao posto da Polícia Federal de Pacaraima, mostra que eles estão realmente tentando alguns tipos de técnica de guerrilha, que podem ser comparadas a de alguns países sul-americanos”, declarou Fernando Segóvia, delegado da Polícia Federal. (Declaração ao Jornal Nacional em 08 Abril 2008).

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Ação midiática da PF e FNS na Raposa Serra do Sol, Sábado 12 Abril 2008
(foto Radiobras)

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Pois muitas das respostas vêm do próprio grupo articulador dos desmandos ora em curso. Em entrevista para a recém inaugurada Rede RecordNews o Presidente Hugo Chávez de próprio punho mostrou ao jornalista Paulo H. Amorim a “Colômbia Redonda”.

Ora hoje a reserva Raposa Serra do Sol enquadra-se como uma engrenagem perfeita na extensão do domínio Bolivariano sobre a Amazônia Ocidental e projeta uma sombra sobre a Amazônia Oriental.

Alertamos que para ser considerado pela ONU como um território independente deverá ter:

1 - Mesma identidade étnica, cultural;
2 - Ser fronteira com outros países (Não ser um território Mediterrâneo), e,
3 - Continuidade Territorial.

Perguntamos aos leitores quantos destes requisitos estão presentes na Reserva Raposa Serra do Sol.
Aos leitores o julgamento na própria voz do Presidente Chávez.



Bravo General-de-Exército Augusto Heleno que está levando a bandeira inglória de ser brasileiro e defender a pátria . Será que esta é uma pecha que não poderemos mais ser?

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Fonte: Defesa Net

Jobim e Enzo não comparecem à cerimônia de troca da bandeira em Brasília

A cerimônia da troca da bandeira, na Praça dos Três Poderes em Brasília, não contou nesta segunda-feira (21/04/2008) com as presenças do ministro Nelson Jobim (Defesa) e do Comandante do Exército, General Enzo Martins Peri. Os dois se tornaram alvos da atenção depois do mal-estar causado pelas declarações do Comandante Militar da Amazônia, General Augusto Heleno, que criticou a política indigenista do governo e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que exigiu de Jobim e Enzo que cobrassem explicações do militar.
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Da África, Lula disse no fim de semana que o episódio "estava superado". Em exercício na Presidência da República, o vice-presidente José Alencar defendeu Heleno, afirmando que ele era um militar competente e sério. Alencar minimizou o mal-estar, mas reconheceu que o general não deveria ter criticado o governo.
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Na sexta-feira à noite (18/04/2008), Jobim e Enzo conversaram reservadamente com Heleno. Na reunião, ouviram as explicações do general e segundo interlocutores, satisfizeram-se com os argumentos apresentados, encerrando o assunto.
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Na semana passada, Heleno criticou duramente a política indigenista do governo, em uma palestra feita por ele, no Rio de Janeiro.
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"A política indigenista brasileira está completamente dissociada do processo histórico de colonização do nosso país. Precisa ser revista com urgência. (...) É só ir lá ver as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer caótica", afirmou o General.
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O comentário de Heleno ocorreu no momento em que o governo defende a demarcação de forma contínua na reserva indígena de Raposa/Serra do Sol, no Norte de Roraima. Há um conflito entre indígenas e produtores de arroz na região.
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A solenidade de troca da bandeira foi realizada hoje excepcionalmente, pois normalmente ocorre no primeiro domingo de cada mês, mas como esta segunda-feira é aniversário de Brasília houve a cerimônia. Dos ministros, compareceu Edison Lobão (Minas e Energia) e da oposição, estava presente o senador Marco Maciel (DEM-PE).
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O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), homenageou autoridades e pioneiros de Brasília - que completa 48 anos. Houve salva de tiros e desfile militar. Há uma extensa agenda festiva para comemorar o aniversário da cidade com a realização de espetáculos de música, competições esportivas e missa.

Lula faz elogios ao Exército

Objetivo é amenizar crise com autoridades.

O presidente Lula procurou jogar uma pá de cal no princípio de crise com as autoridades militares sobre a demarcação das terras indígenas.

Lula elogiou o “sentimento de nacionalidade” que, segundo ele, uniu, em torno do Exército Brasileiro, “índios, brancos, negros e mestiços” na Batalha dos Guararapes, em Pernambuco, no século XVII, para expulsar os holandeses. A declaração consta da mensagem do presidente a propósito do Dia do Exército, divulgada pela Presidência da República, na qual ele afirma que Guararapes favoreceu “o congraçamento racial e cultural do povo brasileiro” e “uniu os segmentos da sociedade”. A mensagem presidencial foi divulgada 48 horas após as declarações do Comandante Militar da Amazônia, General Augusto Heleno, que definiu a política indígena brasileira como “caótica” e “lamentável.”

Em sua mensagem, Lula afirma ainda que o Exército “esteve presente ao longo de toda a história da formação do Brasil como Estado independente”.

Bolsonaro discursa sobre o conflito na reserva indígena Raposa Serra do Sol

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Discurso do Deputado Federal Jair Bolsonaro, ex-capitão da arma de Artilharia do Exército Brasileiro, sobre a política do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o conflito na reserva indígena Raposa Serra do Sol.

domingo, 20 de abril de 2008

Após cobrar general, Lula promete defender reserva indígena no STF

Militar teve de se explicar a seu superior, Enzo Peri, e a Nelson Jobim; recomendação é para não insistir em críticas
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Dois dias depois de irritar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a crítica de que a política indigenista do governo é "caótica e lamentável", o comandante militar da Amazônia, General Augusto Heleno, foi obrigado a dar explicações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e ao comandante do Exército, Enzo Peri. Depois de reunião de pouco mais de uma hora no ministério, na noite de ontem, Jobim considerou a crise encerrada. Heleno ouviu a recomendação de silenciar e não insistir nas críticas ao formato da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, mas não precisou fazer nenhum tipo de retratação.

O silêncio imposto ao general ganhou, porém, caráter de censura pública porque contrastou com as declarações de Lula em favor da reserva. O presidente, que havia determinado a reprimenda a Heleno, reiterou a defesa da demarcação contínua da reserva, alvo de longa disputa judicial no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em solenidade no fim da manhã de ontem, quando recebeu o Conselho Nacional de Política Indigenista, Lula deu um recado aos militares e reforçou, de público, o apoio à política da demarcação das terras dos índios. O presidente prometeu ao líderes indígenas que o governo vai defender no Supremo a manutenção da Serra do Sol tal como está.

Lula lembrou que, agora, a decisão está com a Justiça. Mas pediu ao presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, que acompanhe um grupo de líderes indígenas em conversas com os ministros do STF, para explicar sua posição. "Senti firmeza do presidente. Estamos confiantes de que vai manter a homologação", afirmou o cacique macuxi Jaci José de Souza. Os indígenas foram recebidos no Palácio do Planalto por Lula como parte das ações pelo Dia do Índio, comemorado hoje.

"Nós não somos uma ameaça à soberania nacional. Temos índios que servem ao Exército. Nós lamentamos essa situação porque joga a sociedade brasileira contra os indígenas", reclamou o cacique Marcos Xucuru, membro do Conselho Nacional de Política Indigenista.

ESTADO BRASILEIRO

O presidente Lula ficou particularmente incomodado com o fato do general ter dito que não serve ao governo, mas ao Estado brasileiro.

Terminada a reunião na Defesa, pouco antes das 21 horas, Jobim ligou para Lula, que estava em Porto Alegre, e fez um relato da reunião, reiterando que o problema estava resolvido.

"As explicações foram prestadas e a questão está superada", afirmou o ministro depois da reunião, segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério da Defesa.

Na conversa, o general Heleno reafirmou que tornou pública uma opinião pessoal que não interfere em sua atuação no Comando Militar da Amazônia.
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Fonte: Estado de S. Paulo

Cada país tem o seu Custer, diz Possuelo

Sertanista Sydney Possuelo compara general Augusto Heleno a militar americano que massacrou os índios no século 19
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O sertanista Sydney Possuelo, que completa 68 anos hoje, já viu antes o discurso de soberania nacional ser usado para tentar impedir a demarcação contínua de terras indígenas na Amazônia. Foi em 1992, quando era presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) e agiu, no governo Collor, para homologar a terra indígena ianomâmi, de 9,7 milhões de hectares, entre os Estados de Roraima e Amazonas.
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"Eu me recordo de uma reportagem que saiu no jornal dizendo que meu objetivo era demarcar a terra ianomâmi juntamente com potências européias e os Estados Unidos e, ao final da demarcação, eu seria aclamado o rei da área indígena", recorda-se, completando: "Mais de 16 anos depois, a Amazônia continua com a mesma configuração".
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Possuelo diz que as declarações do general Augusto Heleno sobre a política indigenista "caótica" brasileira, feitas nesta semana no contexto da disputa em torno da terra Raposa/Serra do Sol (RR), refletem uma postura que ressurge toda vez que o Estado quer cumprir a lei a favor dos povos indígenas.
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"Os militares com essa questão de segurança nacional, as pessoas do agronegócio, que se unem também aos garimpeiros. Essas forças se somam para negar aos povos indígenas o direito que eles têm." O sertanista comparou Heleno ao general americano George Custer (1839-1876), que massacrou os índios cheyennes e sioux ("Cada país tem o Heleno ou o Custer que merece") e disse que "ainda bem" que a política indigenista brasileira está dissociada da história do país:
"O que seria interessante? O retorno ao que era antes? O retorno aos massacres? É isso o que ele propõe?" Leia a entrevista:
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FOLHA - O general Augusto Heleno, comandante da Amazônia, disse na quarta-feira que a política indigenista brasileira é "caótica" e está "dissociada da história do país". Como o sr. avalia a declaração?
SYDNEY POSSUELO - Ainda bem que está dissociada da história do Brasil, porque a história do Brasil é uma sucessão de massacres, violência e desrespeito aos povos que já habitavam aqui antes. O que seria interessante? O retorno ao que era antes? O retorno aos massacres? É isso o que ele propõe?
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FOLHA - De tempos em tempos, esse discurso de soberania nacional ressurge no Exército. Por quê?
POSSUELO - Esse problema sempre retorna. Os militares têm com esse boneco empalhado internacional que eles vêem querendo engolir a Amazônia a todo momento sempre pela mão dos povos indígenas. E essa postura retorna toda vez que o Estado quer reconhecer as terras indígenas. Todas as vezes que o Estado quer efetuar aquilo que é de lei essas forças ressurgem. E elas se somam, elas se unem: os militares com essa questão de segurança nacional, as pessoas do agronegócio, que se unem também aos garimpeiros. Essas forças se somam para negar aos povos indígenas o direito que eles têm de viver naquele espaço, que é território nacional. Nos EUA, dezenas de reservas já foram demarcadas, e etnias têm lá o seu controle de pessoas que entram e saem, porque é a casa deles.
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FOLHA - Sem que nos EUA isso seja considerado perda de soberania...
POSSUELO - Exatamente! Isso não existe! Diz para ele [general] entrar com a tropa dele numa área de preservação ambiental, que é território brasileiro, e derrubar tudo. Não pode! Não é porque é Exército que tem o direito de invadir a casa dos outros. Isso [as declarações de Heleno] acontece cinco ou seis dias depois que o presidente da República fez uma declaração prenhe de bom senso e justiça defendendo a demarcação contínua de Raposa/Serra do Sol. A fala dele é no mínimo hostil ao governo, se não for um ato de indisciplina.
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FOLHA - Por que demarcar uma terra contínua e não em ilhas?
POSSUELO - A terra onde habitam etnias e povos que aqui estavam tem de ser contínua. Você não pode dividir a cidade de São Paulo: "Eu entro até os Jardins. Dos Jardins para o outro lugar eu não posso mais entrar, embora tenha ali o meu cemitério, o lugar onde eu planto".
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FOLHA - O STF agiu certo ao suspender a operação de retirada dos arrozeiros pela Polícia Federal?
POSSUELO - A operação da PF já deveria ter acontecido anos atrás, quando o governo FHC delimitou a terra. [O STF] interrompe um processo que seguiu todo o ritual legal. Se o Supremo pára a ação legal em razão de uma disputa entre o Estado e a União, dá para entender a questão legalmente. Mas se ele pára porque "o Estado de Roraima já cedeu terras demais"... o Estado de Roraima não "cede", a União não "cede" terras! A União reconhece o direito de os índios estarem ali.
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FOLHA - Quando foi feita a demarcação da terra indígena ianomâmi, o ministro da Justiça era o Jarbas Passarinho, um militar, que apoiou a demarcação contínua. Mudou a postura das Forças Armadas?
POSSUELO - Ainda bem que você não tem só um general no Exército. Você tem homens que não aprenderam só a marchar. Ainda bem que não temos só o Heleno. Cada país tem o Heleno ou o [George] Custer que merece. Nós não podemos voltar à barbárie. Não é a violência que vai garantir a integridade territorial do Brasil. É você demarcar a terra, dar [ao índio] escola, respeitar os direitos dele, que gera o sentimento de brasilidade. Se o sujeito recebe do Brasil maus-tratos e do Peru recebe educação e saúde, ele vai dizer: "Eu sou é peruano".
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FOLHA - Existe um sentimento antiíndio em Roraima, de que 50% do território é terra indígena e sobra muito pouco para os não-índios.
POSSUELO - Sempre que se disputa terra, você prega estereótipos nos povos indígenas: preguiçosos, com muita terra para nada, e nós, que queremos produzir, não temos a terra. O [Daniel] Ludwig, quando criou o projeto Jari, tinha uma área imensa, 4 milhões a 6 milhões de hectares, só dele. Mas ninguém brigava. Porque, por trás daquilo tudo, havia uma intenção: vamos cortar essas árvores para a Amazônia ser moderna, dar lucro. Essa grande extensão territorial do Brasil, principalmente Estados como Roraima, nós conseguimos manter contra outras potências estrangeiras na época porque os povos indígenas que ali habitavam foram considerados súditos da Coroa portuguesa. Então, quando tem interesse nacional, eles são súditos, mas quando não tem interesse, são empecilho ao desenvolvimento.
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Fonte: Folha de S. Paulo

sábado, 19 de abril de 2008

Entrevista do Gen.Heleno sobre a Amazônia

Apoio ao General Augusto Heleno

Declaração do Gen. Augusto Heleno

Entrevista do General Heleno


General Augusto Heleno - Comandante Militar da Amazônia
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Fala dos absurdos da atual legislação indigenista, mais especificamente sobre a questão da reserva Raposa - Terra do Sol , em Roraima.

Arnaldo Jabour defende o General Heleno (Comandante Militar da Amazônia)

PF em Londrina recaptura preso

A Polícia Federal em Londrina apresentou na noite de 16/04/08 o foragido Sidnei de Oliveira, 43 anos, apontado como o ''cérebro'' que planejou a fuga da unidade em 22 de fevereiro deste ano, quando oito presos escaparam. Mas a julgar pelas próprias informações da PF, Oliveira apenas se aproveitou de falhas na segurança da carceragem que, segundo garantiu o delegado-chefe, Evaristo Kuceki, já teriam sido sanadas. Seis presos continuam foragidos.
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Oliveira foi preso na terça-feira por agentes federais em Agudos do Sul (Sul do Estado) com documentos falsos. A PF acompanhava seus passos e sabia que ele e mais dois homens estariam planejando assaltar uma agência do Banco do Brasil naquela cidade e tinham a intenção de atacar pelo menos mais cinco bancos na região. Na noite de quarta-feira, o foragido capturado foi transferido para Londrina. ''Agora é esperar uma oportunidade para ir embora de novo'', avisou o preso, que já tinha cinco fugas anteriores em sua ficha criminal.
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Oliveira foi classificado como uma pessoa inteligente e perigosa. Ele havia sido preso no dia 28 de dezembro na posse de moeda falsa mas também teria participado de um assalto a uma agência dos Correios. No período de menos de dois meses em que esteve livre, teria se envolvido em pelo menos outros cinco assaltos.
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Conforme o delegado-chefe da PF, a fuga teria sido planejada cinco dias antes de ser colocada em prática. Um dos presos conseguiu receber um par de chinelos ''recheado'' com um pedaço de serra que, em 22 de fevereiro, foi a ferramenta usada para cortar as grades do solário. Os presos se aproveitaram de um ponto cego do sistema de vigilância por câmeras, fizeram uma corda com roupas e lençóis e escalaram um muro de cinco metros. Tudo foi facilitado pelo fato de que os fugitivos permaneciam no solário por causa da superlotação na carceragem: haviam 19 presos para seis vagas.
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Kuceki admitiu que a vigilância e o sistema de segurança da carceragem falharam: os chinelos entregues aos presos não passaram pelo detector de metais; as câmeras de vigilância não cobriam toda a carceragem; o alarme que detectava movimentos estava disparando e foi desligado; o único plantonista da noite não percebeu - nas filmagens - os presos escalando o muro. Um inquérito foi instaurado para apurar a fuga e um procedimento disciplinar foi aberto para investigar se houve facilitação ou participação direta de algum agente federal. ''Toda nossa rotina foi modificada. Não entra mais nada de fora para os presos. Nenhum preso fica além das 17h30 no banho de sol. Não existe mais ponto cego e complementamos as câmeras de segurança'', garantiu Kuceki.
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terça-feira, 8 de abril de 2008

Operação Pechisbeque: PF de Londrina desmantela quadrilha que distribuía notas falsas

A Polícia Federal em Londrina (DPF/LDA/PR) desmantelou na manhã desta terça-feira (08/04/2008) uma quadrilha que distribuía cédulas de dinheiro falsas em Londrina e região, no norte do Paraná. Na Operação Pechisbeque que durou cerca de três horas, foram detidas oito pessoas e apreendidos R$ 3.500,00 em notas falsas. Segundo a PF, entre os oito detidos, está um pai e um filho e dois deles foram presos em flagrante.
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Na operação desta manhã, também foi apreendido a moto que foi utilizada por Reginaldo Guilhermino da Silva, 28 anos, preso no início do mês passado quando transportava R$ 25 mil notas falsas. Além da moto, foi apreendido um computador e um colete balístico, furtado de uma agência bancária de Londrina.
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A PF acredita que o dinheiro falso era adquirido no interior de São Paulo. Trabalharam na operção 47 policiais federais para o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão.
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A PF voltou a alertar a população para que fique atenta no momento de receber notas de dinheiro. É importante a verificação de itens de segurança como a marca d'água.
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Todos os presos estão recolhidos na carceragem da PF e podem pegar de três a 12 anos de reclusão.
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A palavra "Pechisbeque" significa liga de cobre ou zinco, que imita ouro falso.
Marilayde Costa - Redação Bonde

segunda-feira, 7 de abril de 2008

'Osama Bin Laden está planejando algo para a eleição americana'

O autor americano Steve Coll passou anos investigando a família de Osama Bin Laden. Agora, seu novo livro fornece uma visão única do clã. A "Spiegel" falou com ele sobre onde o terrorista pode estar escondido, como o pai dele deu início à sua fortuna e os romances singulares de um de seus irmãos
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Erich Follah
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Spiegel - Sr. Coll, Osama Bin Laden rompeu recentemente um longo silêncio. Ele ameaçou a Europa e pediu pela "libertação" da Faixa de Gaza. Quão seriamente devemos tratar estas mensagens? Elas dizem algo a respeito dele ou sobre onde poderia estar?
Steve Coll - Bin Laden há muito formula suas mensagens de forma a tocarem em eventos atuais. Não é difícil imaginar que esteja escondido em algum ponto na fronteira do Afeganistão, assistindo a "Al Jazeera" ou a "CNN" e fazendo anotações para seu próximo comunicado. Eu acho que seus comentários sobre a Europa foram um esforço para chegar às manchetes -escritos após tomar conhecimento das novas reproduções das caricaturas de Maomé. Mas também poderia ser indício de que soube de um plano em desenvolvimento na Europa. Nos últimos dois anos, nós encontramos conexões entre esses planos e os quartéis-generais da Al Qaeda. Sua menção de Gaza é típica de sua tentativa de exercer um papel nos eventos atuais. Ele apenas quer mostrar que ainda está vivo e em dia com os fatos no mundo muçulmano.
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Spiegel - O candidato presidencial democrata Barack Obama acusa o governo Bush de ter negligenciado perigosamente a caçada pelo terrorista mais procurado do mundo. Ele está certo?
Coll - Era possível a eliminação de Osama Bin Laden especificamente entre 1998 e 2001, antes do 11 de Setembro. Nós tínhamos agentes no local na época e eles deram a Clinton (o ex-presidente) três chances de atacar. Em uma das vezes ele decidiu contra um ataque com míssil, por não estar disposto a aceitar a morte de crianças. Era possível ver um balanço na imagem por satélite da base de Bin Laden, perto de Kandahar. Provavelmente também seria possível cercar o campo com Forças Especiais e capturá-lo. Mas aquelas não eram as prioridades políticas na época. Mas mesmo depois do 11 de Setembro, houve uma oportunidade. O próprio Bin Laden escreveu posteriormente sobre quão desesperadora era sua situação durante o bombardeio pesado a seu esconderijo em uma caverna em Tora Bora, perto da fronteira do Paquistão, em dezembro de 2001. Ele conseguiu escapar no último minuto. Se alguns dos soldados afegãos que avançaram com os soldados americanos até as montanhas foram indiferentes ou realmente o ajudaram a escapar, é difícil dizer. De qualquer forma, nós fomos negligentes ao não usarmos a Décima Divisão de Montanha, que é especializada neste tipo de combate e estava parcialmente estacionada no Uzbequistão na época. Foi uma decisão ruim.
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Spiegel - Onde Bin Laden está agora?
Coll - Eu estou firmemente convencido de que ele está em solo paquistanês e até me aventuraria a dizer onde: na região montanhesa do Waziristão do Norte, perto da cidade de Miram Shah. Bin Laden conhece a área como a palma de sua mão. Ela é controlada pelo clã Haqqani, com o qual ele tem profundas raízes. O exército do Paquistão não ousa entrar na região.
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Spiegel - Você acha que ele está em algum tipo de campo da Al Qaeda, onde possa ser capaz de coordenar as atividades do grupo?
Coll - Osama provavelmente se desloca de um lugar para outro, protegido por amigos -o que não significa que alguém não possa traí-lo algum dia. E ele aparentemente tem acesso a meios modernos de comunicação, como TV por satélite. A região de Miram Shah, diferente do Afeganistão rural, é mais desenvolvida neste sentido do que o Ocidente geralmente presume. Eu imagino que Ayman Al Zawahiri, seu vice, não esteja no mesmo local que Bin Laden.
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Spiegel - Por precaução ou por motivos táticos?
Coll - Provavelmente ambos. Mas nos últimos dois ou três anos, os dois recuperaram tanta confiança que ouvi dizer que até se reúnem nas Shuras, as consultas em grupo da liderança da Al Qaeda. Nós não sabemos se o próprio Bin Laden emite os comandos para realização dos ataques terroristas. Mas é praticamente certo que ele tem conhecimento da maioria das operações da Al Qaeda.
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Spiegel - Você dedica grande parte do seu novo livro à família dele e suas origens. Por quê?
Coll - Eu acredito que Osama Bin Laden e as amplas contradições entre religião, tradição e modernidade no Oriente Médio, com a hostilidade em relação ao Ocidente de um lado e a atração por suas idéias e modo de vida do outro, são melhor entendidos pelo prisma deste clã.
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Spiegel - Você vê os Bin Laden como um clã terrorista? Ou são apenas uma boa família com uma ovelha negra famosa?
Coll - Ela é uma família bem grande. Só o Osama conta com 24 irmãos e 29 irmãs, e os Bin Laden sempre foram um clã que abrange uma variedade espantosa de ideologias -desde a de seus membros completamente mundanos, como o "bon vivant" Salem Bin Laden, um fã de Beatles e playboy, às de seus fanáticos religiosos. Esta diversidade também esteve evidente naquele dia fatídico nos Estados Unidos. Quando os terroristas arremessaram seu avião seqüestrado da American Airlines contra o Pentágono, Shafiq Bin Laden, o meio-irmão de Osama, estava em uma conferência com investidores no Ritz Carlton Hotel em Washington, a poucos quilômetros de distância. A conferência era patrocinada pelo Carlyle Group, da qual tanto os Bin Laden quanto a família Bush são acionistas.
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Spiegel - Assim como a maioria dos clãs familiares de sucesso do mundo, os Bin Laden também ascenderam graças a um patriarca poderoso.
Coll - Realmente. Mohammed, o pai de Osama, foi um homem que venceu por esforço próprio e que se transformou de um filho analfabeto e simples de agricultor em um multimilionário. Ele veio da inóspita Hadramaut, uma região terrivelmente pobre na Arábia Saudita, cujo nome não poderia ser mais apropriado. Hadramaut significa "a morte está entre nós". Aos 14 anos, Mohammed assumiu as rédeas de seu destino. Em 1925, ele cruzou o Mar Vermelho para o norte em um "dhow" (embarcação típica) de madeira lotado, caminhou semifaminto pelo deserto e conseguiu chegar até Jidda, uma cidade deplorável e sufocantemente pequena na época. Mas o pai de Osama ignorou a pobreza e viu uma oportunidade.
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Spiegel - O que ele conseguiu fazer que outros não fizeram?
Coll - Ele tinha visto os notáveis altos prédios de tijolos que os sauditas tinham construído em Hadramaut. Ele queria se tornar um construtor, demolir casas e construir torres. Torres, e posteriormente aeronaves, determinariam, em variações surpreendentes, o destino desta família.
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Spiegel - Onde Mohammed Bin Laden conseguiu o capital inicial para seus negócios?
Coll - Ele dormia em uma cavidade na areia, trabalhava meio expediente em uma loja para peregrinos, cozinhava, trabalhava em uma pedreira e economizava cada centavo. Ele abriu uma empresa em 1931 e logo se envolveu na construção de casas. Nos dias do primeiro boom do petróleo, ele empregou ambição, trabalho árduo e bons contatos para se tornar o principal construtor da família real saudita. Logo, além de edifícios, ele estava construindo represas e estradas. Ele se tornou rico.
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Spiegel - Muitas pessoas eram ricas. De onde veio a influência dele?
Coll - O dinheiro não podia mudar sua posição social na Arábia Saudita, apesar de ter recebido uma posição ministerial em 1955. A família real saudita apreciava a honestidade e confiabilidade dele, mas nunca permitiria que suas filhas se casassem com ele ou com algum de seus filhos. Se Mohammed quisesse assegurar melhores oportunidades para seus filhos -e isso era algo que ele queria mais do que qualquer outra coisa- uma educação de primeira classe era fundamental.
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Spiegel - Ele devia ter seus favoritos, entre os 54 filhos de suas 22 esposas. Osama era um desses favoritos?
Coll - Mohammed Bin Laden se divorciou rapidamente da mãe de Osama, uma mulher síria da cidade portuária de Latakia. Mas tudo sugere que o pai foi um modelo importante para Osama. Quando era garoto, ele acompanhou seu pai a Meca e Medina, onde Mohammed concluiu uma ampla obra de restauração, como fez na Mesquita de Al Aqsa em Jerusalém, um importante local religioso para os muçulmanos. Mohammed Bin Laden era um homem devoto e estes projetos nos locais mais sagrados do Islã foram de grande importância pessoal para ele. Mas ele não era um fanático e era surpreendentemente cosmopolita para um homem de sua origem. Ele era um modernizador.
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Spiegel - Como é possível dizer?
Coll - Ele também empregou cristãos e outros "infiéis" em sua obra em Jerusalém, comprou mais de meia dúzia de Packards modernos de dois assentos dos Estados Unidos e foi o primeiro cidadão privado na Arábia Saudita a ter seu próprio avião, que era mantido pela TWA. Um piloto americano é que conduzia o avião da família Bin Laden quando este caiu em um dia de setembro, em 1967.
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Spiegel - O patriarca tinha uma sucessão clara estabelecida? Osama exerceu um papel?
Coll - Osama, filho número 17, tinha apenas 10 anos quando seu pai morreu. Como outros herdeiros do sexo masculino, ele recebeu uma participação acionária de 2,3% da empresa, enquanto as filhas receberam apenas 1%. Este dinheiro e os juros sobre os lucros anuais da empresa -investidos, contrariando as regras do Islã, em bancos ocidentais- tornaram Osama um homem rico. Ele era um milionário, mas não valia 300 milhões como foi alegado. Após um período de transição, no qual o rei Faisal assumiu um papel de guardião, Salem Bin Laden se tornou chefe da empresa da família. Ele era pelo menos 10 anos mais velho que seu irmão Osama e tinha freqüentado um internato britânico.
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Spiegel - Alguns dos irmãos receberam sua educação no Ocidente ou em Beirute, a capital libanesa, que era bastante liberal na época, enquanto outros permaneceram na Arábia Saudita. Osama não quis se aventurar pelo mundo?
Coll - Ele certa vez visitou Beirute, mas aparentemente considerou a vida lá mais alienante do que fascinante. Às vezes ele assistia séries de TV americanas como "Bonanza" e "Fury¬ -O Cavalo Selvagem", e às vezes jogava futebol, mas sempre de calça comprida. Mas Osama, que era mais um menino tímido, procurava por um modelo, uma nova figura paterna, em outro lugar. Ele foi profundamente influenciado por um professor que promovia as idéias da Irmandade Muçulmana fundamentalista. A radicalização de Osama não era direcionada contra a família. Ele aceitava a autoridade de Salem sem objeção, apesar de provavelmente desaprovar seu hábito de beber, seu estilo de vida de playboy e seu apreço pela música pop Ocidental. Mas inicialmente o zelo religioso e revolucionário de Osama não contradizia de modo algum as políticas da família real saudita, especialmente quando se tratava de questões como o chamado para "libertar" Jerusalém e, posteriormente, a luta contra a ocupação soviética no Afeganistão, na qual mergulhou com entusiasmo.
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Spiegel - Os outros Bin Laden admiravam Osama ou o viam como um excêntrico?
Coll - Eles consideravam estranha a intensidade e rigor com que vivia sua fé. Por exemplo, ele proibia sua jovem esposa de beber com canudinho e seus filhos de beber direto da garrafa por considerar estas coisas não-islâmicas. Mas de forma alguma o viam como um estranho sectário. Assim como antes era habitual nas famílias da nobreza européia um dos filhos optar pelo sacerdócio, eles consideravam normal que um deles resolvesse seguir o chamado da religião.
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Spiegel - Logo se tornou mais do que isso.
Coll - Sim. Osama se radicalizou em 1979, com o ataque aos radicais islâmicos na Grande Mesquita de Meca, a revolução iraniana e a invasão soviética ao Afeganistão. Seu ego e sua ambição cresceram quando, na cidade paquistanesa de Peshawar, ele distribuiu dinheiro, grande parte dele doado por sua família, para os rebeldes afegãos e então se juntou aos mujaheddin em sua guerra santa.
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Spiegel - Como a família conseguiu manter esta divisão entre Meca e o Ocidente?
Coll - Salem foi bem-sucedido como chefe da família e empresário. Ele sabia quão importante eram as doações para o movimento de resistência afegão. Sob conselho de seus amigos americanos politicamente influentes, ele também ajudou a financiar a campanha da CIA contra os Contras na Nicarágua. Mas acima de tudo, Salem Bin Laden vivia seu sonho americano, que incluía quintas, carros e aviões particulares. Ele gostava de viajar e adorava cantar para uma platéia. Ele certa vez cantou canções folclóricas da Baviera em uma Oktoberfest em Munique, após pagar US$ 2 mil em dinheiro para comprar um espaço em uma tenda de cerveja lotada. Sua vida amorosa era particularmente excêntrica.
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Spiegel - De que forma?
Coll - Ele tinha cinco namoradas preferidas: uma americana, uma inglesa, uma francesa, uma dinamarquesa e uma alemã. Certo dia ele fez com que todas fossem levadas de avião para Londres, as apresentou umas às outras e anunciou que queria casar com cada uma delas e daria uma quinta para cada uma delas. A única condição era de que estariam disponíveis para ele o tempo todo -e que teriam suas respectivas bandeiras nacionais tremulando em suas propriedades e um carro fabricado em seu respectivo país estacionado em frente da porta. Ele sonhava em ter sua própria ONU particular. A alemã, apelidada de "meu Panzer", partiu imediatamente, enquanto as demais bancaram a difícil. Salem no final se casou com a britânica.
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Spiegel - Mas foi incapaz de desfrutar sua boa fortuna por muito tempo.
Coll - Isso mesmo. Pouco tempo depois, em maio de 1988, ele decolou em um ultraleve do Kitty Hawk Field of Dreams em San Antonio e, apesar de ser um piloto experiente, atingiu inexplicavelmente as linhas de força e caiu. Foi outra morte ligada à aviação e novamente ligada aos Estados Unidos. O irmão que então assumiu como chefe da empresa, Bakr Bin Laden, era um homem moderadamente religioso, internacionalmente experiente e cosmopolita.
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Spiegel - Como ocorreu a ruptura entre Osama e a família?
Coll - Osama encontrou um novo mentor na região de fronteira paquistanesa-afegã. Abdullah Azzam, um estudioso palestino da Irmandade Muçulmana, expôs a ele o conceito da jihad internacional. Novas armas, pagas com dinheiro saudita e entregues pelos Estados Unidos, mudaram a guerra a favor dos mujaheddin. Após a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão e seu retorno para casa, para a Arábia Saudita, Osama começou a procurar por novos projetos. Quando os iraquianos invadiram o Kuwait em 1990, ele ofereceu seus combatentes árabes para a família real para uma expedição punitiva contra Saddam Hussein, bancando o líder guerrilheiro islâmico leal a serviço da monarquia. Mas para sua grande decepção, os governantes em Riad optaram por depositar suas esperanças nos americanos e concordaram em permitir que os americanos estacionassem um grande número de tropas na Arábia Saudita.
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Spiegel - Mas a família Bin Laden não ganhou dinheiro com o acordo?
Coll - A empresa, sob liderança de Bakr, construiu uma base para pouso de helicópteros para o Exército americano. Tudo aquilo era demais para Osama: a humilhação resultante da rejeição ao seu apoio, assim como os certificados de apreço que o general americano Norman Schwarzkopf entregou para cada um dos executivos dentro do Bin Laden Group por seu "apoio inestimável". Ele afiou o tom de seus discursos políticos e então pegou suas quatro esposas e muitos filhos para viver em exílio no Sudão. Após o primeiro ataque ao World Trade Center em 1993, quando Osama Bin Laden e sua organização Al Qaeda se tornaram suspeitos, a família oficialmente o renegou.
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Spiegel - Todos os contatos foram realmente cortados?
Coll - Não. O primogênito de Osama, Abdullah, já tinha abandonado o pai antes dele se mudar para o Afeganistão e se tornar cada vez mais envolvido em terrorismo. Mas nós sabemos que a mãe e vários outros membros da família viajaram para Kandahar para o casamento do segundo filho mais velho, Mohammed, em janeiro de 2001.
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Spiegel - Carmen Bin Laden, uma cunhada dos Osama e que viveu na Arábia Saudita por muito tempo, disse à "Spiegel" que ela acredita que os "Bin Laden nunca renegaram Osama; nesta família, um irmão continua sendo um irmão, independente do que tenha feito". Você tem evidência que apóie esta alegação?
Coll - Nenhuma evidência direta. Um dos membros da família, Saad Bin Laden, está sob prisão domiciliar em Teerã como suspeito de terrorismo. E há transações financeiras por membros individuais da família que são difíceis de rastrear e, portanto, são suspeitas, mas nenhuma grande evidência. Bakr Bin Laden e a empresa globalizada da família são dependentes demais da aceitação internacional para permanecerem em contato com Osama, independente do que pensem a respeito dele. Após a declaração de Osama de guerra contra os Estados Unidos, a família contratou um ex-jornalista do "Wall Street Journal" como consultor de relações públicas. E com a exceção de apenas um, todos os Bin Laden que viviam nos Estados Unidos deixaram o país logo depois do ataque.
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Spiegel - E agora a família está espalhada pelo globo. É possível nos dar um breve resumo?
Coll - Yeslam Bin Laden garantiu os direitos de uso do nome da família para sua Bin Laden Fashions, que ele abandonou diante dos protestos. Abdullah é dono de uma agência de promoção de eventos em Jidda. Hassan é um dos principais acionistas do Hard Rock Café Oriente Médio. Outros membros da família financiam filmes de Hollywood, são donos ou foram donos de presídios privatizados e de um aeroporto nos Estados Unidos. Bakr e o Bin Laden Group estão participando da licitação para a construção do prédio mais alto do mundo em Dubai. Ele tem relações estreitas com o príncipe Charles, George Bush pai e Jimmy Carter. Ele também fez curso de pilotagem e pilota pessoalmente seu jato privado.
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Spiegel - E Osama.
Coll - Não é de forma alguma o caipira, fundamentalista fanático, como às vezes é retratado no Ocidente. Ele vê a si mesmo como mestre das mudanças globais e suas tecnologias. Ele acredita, de forma não totalmente incorreta, que tem usado a mídia moderna de forma mais eficaz do que seus adversários americanos. Após ter sua identidade saudita roubada, em casa na jihad internacional, Osama, como suas mensagens mais recentes de seu esconderijo mostram, vê a si mesmo como um verdadeiro cidadão mundial.
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Spiegel - Ele enviou uma mensagem aos candidatos da campanha presidencial americana há quatro anos, pouco antes da eleição.
Coll - E os democratas e (o ex-candidato presidencial) John Kerry vêem isto como um dos principais motivos por trás de sua derrota. Eu acredito que ele também queira influenciar os americanos desta vez. Há uma ameaça de ataque terrorista em solo americano que a Al Qaeda alerta há muito tempo. Osama Bin Laden está planejando algo para a eleição americana.
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Spiegel - Ele poderia prejudicar os democratas, que há muito lideram as pesquisas de opinião, mas são vistos como menos competentes quando se trata de combater o terror. Será que Osama poderia ser a última esperança dos republicanos?
Coll - Este é o ano dos democratas, a menos que haja um desastre imenso.
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Spiegel - Sr. Coll, obrigado por esta entrevista.
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Tradução: George El Khouri Andolfato
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QUEM É STEVE COLL
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Steve Coll é considerado um dos mais importantes escritores de não-ficção nos Estados Unidos. O ganhador de dois prêmios Pulitzer foi correspondente do Sudeste Asiático e posteriormente co-publisher do "Washington Post". Atualmente ele escreve para a revista "New Yorker". Em julho do ano passado, Coll, 49 anos, se tornou presidente da New America Foundation, um instituto de políticas públicas não-partidário em Washington, D.C. Seu novo livro, "The Bin Laden´s: An Arabian Family in the American Century", que envolveu anos de pesquisa sobre Osama Bin Laden e sua família, está nas livrarias. Nos Estados Unidos, ele é publicado pela Penguin Press, na Alemanha ele chega pela editora "Deutsche Verlags- Anstalt".
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sábado, 5 de abril de 2008

Trio com 5 kg de cocaína tentaria vender droga na ExpoLondrina

Dois homens e uma mulher de Londrina foram presos em flagrante na madrugada desta sexta-feira (04/04/2008) na PR-323 (divisa Paraná-São Paulo), a caminho do norte do Estado, com cerca de 5 quilos de cocaína escondidos na lateral do veículo conduzido por eles, um Gol, placas AJI-5203, de Cambé.
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A apreensão ocorreu durante uma barreira de rotina da Polícia Federal em um posto fiscal. Os três detidos seriam moradores do Jardim Alpes, na zona norte de Londrina (próxima ao Estádio do Café).
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Com eles foram encontrados ingressos para a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina) - onde os policiais suspeitam que o trio tentaria vender a droga.
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Na mesma madrugada, outra equipe de policiais federais de Londrina/PR apreendeu, em Diamante do Norte, duas carretas Scania que estavam transportando cigarros contrabandeados do Paraguai.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Quadrilha rouba carro-forte em rodovia no Paraná

Cerca de 10 homens fortemente armados assaltaram um carro-forte na manhã desta terça-feira (1º/04/2008) na rodovia PR-323, na divisa entre os municípios de Jussara e Doutor Camargo, a 40 quilômetros de Maringá, região Noroeste do Estado. Nenhum dos assaltantes foi preso até o momento. As informações são do site do Jornal Diário do Norte do Paraná.
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Informações preliminares da 3ª Companhia de Polícia Militar de Cianorte, do 11º Batalhão de PM de Campo Mourão (11º BPM), são de que a quadrilha levou mais de R$ 600 mil do carro-forte. O roubo ocorreu na ponte do Rio Ivaí.
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Os bandidos, em um VW Gol e em um Chevrolet Blazer, pararam o carro-forte a tiros. Os funcionários da empresa de segurança não revidaram. Ninguém ficou ferido, conforme a PM.
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A Blazer foi encontrada pela polícia abandonada em uma área rural às margens do Rio Ivaí. O veículo está sem placas. A polícia acredita que a quadrilha deixou o carro no local e fugiu em alguma embarcação.
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Dezenas de policiais militares do 11º BPM, do 4º BPM (Maringá), do 8º BPM (Paranavaí) e policiais civis de várias cidades da região trabalham para capturar os integrantes da quadrilha.